Histórico
Origem
As Congregações Marianas surgiram em 1563, em Roma, por iniciativa do Padre Jean Leunis, como uma associação de jovens estudantes do Colégio Romano que procuram, através de uma devoção especial à Virgem Maria, viver uma vida cristã mais fervorosa e dedicar-se ao trabalho apostólico. Outras associações, com a mesma nota característica, foram, a exemplo da primeira, criadas em vários Colégios Jesuítas da Europa, América e Ásia e receberam o nome de Congregações Marianas (CC.MM). Em 1584, o Papa Gregório XIII aprovou a nova associação e confiou aos Padres Jesuítas, dando ereção canônica à Congregação do Colégio Romano ( prima Primária ), à qual as demais passaram a ser a associação religiosa de leigos pioneira erigida pela igreja e, a partir dela, muitas outras surgiram na vida eclesial.
Desenvolvimento
Em 1748, o Papa Bento XIV concedeu às CC.MM especiais privilégios e graças pela Bula Gloriosae Dominae, que passou a ser a Carta-Magna das CC.MM. Apesar da supressão das ordens dos Jesuítas em 1773, as CC.MM continuaram a existir com aprovação do Papa e, em 1824, foram pelo Papa Leão XII novamente confiadas aos Padres Jesuítas cuja Ordem havia sido restaurada anos antes. Desde então, as CC.MM tiveram grande desenvolvimento em todo mundo. Em 1910, foram aprovadas as novas Regras Comuns que permaneceram em vigor até 1967. O Papa Pio XII, fervoroso Congregado Mariano, ao comemorar o segundo centenário da Bula Gloriosae Dominae, publicou, em 1948, a Constituição Apostólica Bis Saeculari Die que confirmou os benefícios dados por seus predecessores as CC.MM, e deu importantes orientações para a vida interna das CC.MM e seu apostolado na Igreja. Desde então, ela passou a ser a Carta Magna das CC.MM. Em 1954, ao ser realizado em Roma o Congresso Mundial das CC.MM existiram em 115 países, em 1291 Dioceses, eram em número de 81.000, reunindo cerca de 6 milhões de Congregados(as) Marianos(as).
As CVX
Em 1967, logo após o Concílio Vaticano II, foi proposto à Santa Sé um novo nome para as CC.MM - Comunidade de Vida Cristã (CVX), e a susbtituição das antigas Regras Comuns pelos Princípios e Normas Gerais da CVX, aprovados pela Santa Sé em 1971. Isso deu às tradicionais CC.MM uma nova fisionomia, quer na sua vida associativa, quer na sua marca espiritual como tipicamente mariana.
No Brasil
As CC.MM existiram no Brasil desde 1583 quando a primeira foi fundada no Colégio dos Jesuítas da Bahia pelo beato Jose de Anchieta. Elas permaneceram nos diversos Colégios dos Jesuítas na Colônia ate 1759. Naqueles anos os padres foram expulsos do Brasil pelo governo português chefiado pelo Marques de Pombal. Em 31 de maio de 1870 foi fundada em Itu, São Paulo, no Colégio São Luiz também dos Padres Jesuítas a primeira CM dos tempos modernos. A partir de então elas se desenvolveram rapidamente, não somente nos Colégios, Paróquias e outros ambientes. A partir de 1935 o Brasil passou a ser o líder mundial no crescimento das CC.MM.
A Estrutura Federativa
O grande número de CC.MM no Brasil trouxe a necessidade de uma coordenação mais eficaz entre elas: a estrutura federativa. A primeira Federação surgiu em 1927 em São Paulo. Outras foram sendo organizadas até que, em 1937, foi fundada a Confederação Nacional das CC.MM do Brasil com sede no Rio de Janeiro. Em 1956 de acordo com o censo Mariano então realizado, havia no Brasil 74 Federações, mais de 2700 CC.MM. E cerca de 400.000 Congregados Marianos. Em 1970 as CC.MM do Brasil aceitaram os Princípios e Normas Gerais da CVX e a elas se filiaram, mantendo com tudo, no Brasil o nome tradicional de Congregações Marianas.
A Nova Fase
A partir de 1970, tendo perdido sua fisionomia tradicional mariana, as CC.MM no Brasil experimentaram um acentuado declínio, devido à dificuldade de sua adaptação ao novo modelo das CVX. Em novembro de 1991, foi eleita nova Diretoria da Confederação Nacional que se propunha, com anuência do Comitê Mundial das CVX em Roma, e o apoio do Assistente Eclesiástico Nacional, Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, restaurar as CC.MM do Brasil como uma associação religiosa de fiéis leigos, autônoma, com um novo estatuto canônico. Em 1992, com a colaboração do Comitê Mundial das CVX, a nova Diretoria da Confederação Nacional promoveu a elaboração de uma Regra de Vida que substituísse os Princípios e Normas Gerais das CVX, para as CC.MM no Brasil. O texto desta Regra de Vida foi aprovado no final de 1992, pela Assembléia Geral das CC.MM do Brasil reunida em Aparecida.
As CC.MM do Brasil
A nova Regra de Vida, com a concordância do Comitê Mundial das CVX, foi submetida, em maio de 1993, à apreciação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pelo Assistente Nacional das CC.MM, Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales. Em 22 de agosto do mesmo ano, as CC.MM do Brasil foram erigidas, por Decreto da Presidência da CNBB, uma associação pública de fiéis de âmbito nacional. A Regra de Vida, cujo texto sofreu pequenas modificações sugeridas pela CNBB, foram aprovada pela CNBB em 25 de novembro de 1993, tornando-se assim, o estatuto canônico pelo qual as CC.MM do Brasil passaram a ser regidas.
O Momento Presente
A partir de sua restauração, começou um novo crescimento das CC.MM do Brasil. Surgem no Brasil novas Federações e Congregações, sobretudo de jovens, inclusive em Seminários. É notável o crescimento do trabalho com os adolescentes nos grupos de Marianinhos. Muitas CC.MM que estavam desaparecendo, estão sendo reativadas com o retorno à vida associativa de antigos(as) Congregados(as) que dela haviam, aos poucos se afastado.
Escola de Santidade
As CC.MM foram e continuam sendo uma verdadeira Escola de Santidade. Numa relação, possivelmente incompleta, foram elencados 111 santos e beatos Congregados, Congregadas ou promotores de Congregações que a Igreja já elevou às honras dos altares pela canonização ou beatificação. Vários morreram jovens como Santo Estanislau Kostka, São Luís Gonzaga, São João Tekakwita, São Gabriel da Virgem Dolorosa ou Santa Teresinha do Menino Jesus. Muitos foram mártires, quer nas perseguições religiosas na Europa, quer nas missões nas Américas, na Índia, no Extremo Oriente, na Oceania (São Pedro Chanel) ou no México, como o Beato Padre Miguel Agostinho Pro, martirizado em 1927. Muitos foram Bispos, Sacerdotes ou fundadores de Congregações Religiosas como São Carlos Borromeu, São Pedro Canísio, São Camilo de Lellis, São Francisco de Sales, São João Francisco de Regis, São Pedro Claver, São Vicente de Paulo, São Cláudio de la Colombière, São Luís Maria Grignion de Monfort, São João Batista de la Salle, Santo Afonso Maria de Liguori, São Vicente Palloti, São Pedro Julião Eymard, Santo Antônio Maria Claret, São Luiz Orione, Beato Ruperto Mayer, falecido em 1945, ou o chileno Beato Padre Alberto Hurtado, falecido em 1952, grande apóstolo social do Chile em nossos dias. Várias eram mulheres e fundadoras de Congregações Religiosas como a vidente de Lourdes, Santa Bernadete ou Santa Francisca Xavier Cabrini. Ainda hoje existem Congregados e Congregadas ilustres como o saudoso Santo Padre o Papa João Paulo II (aos 14 anos ingressou na CM da Paróquia de Wadowice, sua cidade natal) ou a Beata Madre Teresa de Calcutá, fervorosa Congregada em sua cidade natal de Skopje, na Albânia, que teve duas Congregadas como companheiras, no início, em Calcutá de sua admirável obra de caridade cristã.
Fonte: Manual Devocionário da Congregação Mariana - 6ª Edição - 2010



