Dogmas de Fé
O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária.
Há uma conexão orgânica entre a vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé, que o iluminam e tornam seguro. Inversamente, se a nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas de fé.
Os laços mútuos e a coerência dos dogmas podem ser encontrados no conjunto da Revelação do Magistério de Cristo. “Existe uma ordem ou ‘hierarquia‘ das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã são diferentes”.
O senso sobrenatural da fé
Todos os fiéis participam da compreensão e da transmissão da verdade revelada.
Receberam a unção do Espírito Santo que os instrui e os conduz à verdade na sua totalidade.
“O conjunto dos fiéis... não pode enganar-se no ato de fé. E manifesta esta sua secular propriedade mediante o senso sobrenatural da fé de todo o povo, quando, ‘desde os bispos até o último dos leigos’, apresenta um consenso universal sobre questões de fé e costumes”.
“Por este senso da fé, excitado e sustentado pelo Espírito da verdade, o Povo de Deus – sob a direção do sagrado Magistério, (...) – adere à fé ‘uma vez para sempre transmitida aos santos’; e com reto juízo, penetra-a mais profundamente e mais plenamente a aplicar na vida”.
Os dogmas mais venerados pelo povo cristão são os relacionados à Maria como:
Virgindade de Maria, Mãe de Deus (Theotokos), Assunção de Maria e a Imaculada Conceição.
Virgindade de Maria: Desde as primeiras formulações da fé, a Igreja confessou que Jesus foi concebido exclusivamente pelo poder do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, afirmando também o aspecto corporal deste evento: Jesus foi concebido “do Espírito Santo sem sêmen”. Os Padres vêem na conceição virginal o sinal de que foi verdadeiramente o Filho de Deus que veio a uma humanidade como a nossa:
Assim Stº Inácio de Antioquia (início do século II): “Estais firmemente convencidos acerca de Nosso Senhor, que é verdadeiramente da raça de Davi segundo a carne, Filho de Deus segundo a vontade e o poder de Deus, verdadeiramente nascido de uma virgem,... ele foi verdadeiramente pregado à cruz por nós na sua carne sob Pôncio Pilatos... ele sofreu verdadeiramente, como também ressuscitou verdadeiramente”.
Os relatos evangélicos entendem a conceição virginal como uma obra divina que ultrapassa toda compreensão e toda possibilidade humana. “O que foi gerado nela vem do Espírito Santo”, diz o anjo a José acerca de Maria sua noiva (Mt 1,20). A Igreja vê ai o cumprimento da promessa divina dada pelo profeta Isaías “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho” (Is 7,14, segundo a tradução grega de Mt 1,23), e em GS 22b (GAUDIUM ET SPES) .
Mãe de Deus (Theotokos): Este dogma foi proclamado pela Igreja Católica no Concílio de Èfeso em 431 como sendo Maria a “Mãe de Deus” em grego Theotokos e em latim Mater Dei. O Concílio de Éfeso proclamou que “se alguém não confessa o que Deus já engendrou segundo a carne o Verbo de Deus encarnado, seja anátema (é o mais severo caso de excomunhão, ocorrido somente nos piores casos possíveis de heresia contra a fé, amaldiçoado pelo sacerdote), segundo São Tomás de Aquino “A Santíssima Virgem, por Mãe de Deus, possui uma dignidade de certo modo infinita, derivada do bem infinito que é Deus”. Para Santo Atanásio é inadmissível supor que a maternidade de Maria seja um relato fictício, pois é certo que Jesus se fez, conforme atesta o Evangelho de São João. E também SRS 48c (SOLLICITUDO REI SOCIALIS).
Assunção de Maria: A Virgem Maria no fim de sua vida foi elevada em corpo e alma à glória celestial. Este dogma foi proclamado ex cathedra pelo Papa Pio XII no dia 1º de novembro de 1950 por meio da “Constituição Munificentissimus Deus”. E, para que mais plenamente estivesse conforme o seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, exaltada pelo Senhor como Rainha do universo. A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos.
“No vosso parto, guardastes a virgindade, na vossa dormição não deixastes o mundo, ó mãe de Deus fostes juntar-vos à fonte da vida, vós que conhecestes o Deus vivo e, por vossas orações, livrareis as nossas almas da morte”.
Imaculada Conceição: A festa da Imaculada Conceição, comemora em 8 de dezembro, foi definida como uma festa universal em 1476 pelo Papa Sisto IV. A Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula “Ineffabilis Deus” em 8 de dezembro de 1854. A Igreja Católica considera que o dogma é apoiado pela Bíblia (por exemplo, Maria sendo cumprimentada-a pelo Anjo Gabriel como “cheia de graça”), bem como pelos escritos dos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrosio de Milão, uma vez Jesus tornou-se encantado no ventre da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre do pecado para poder gerar seu Filho.
Salve Maria!
Henrique Alexandre dos Santos Couto
Vice-Presidente da Federação



